Mergulho no Ser - (A exemplo de Jonas 2)
O autoconhecimento e o conhecimento de Deus são interfases de um
processo. Não podemos nos voltar para a relação apenas
verticalizada. Precisamos desenvolver uma espiritualidade mais
humana, que seja consequente nas relações horizontais,
interpessoais. O duplo conhecimnento, de nós mesmos e de Deus,
reaproxima, traz esperança, muda a nossa visão e nos traz à tona
transformados.
Jonas mergulha no mar ou melhor, é "mergulhado" pelos
marinheiros, numa solicitação quase suicida, sem esperança,
humanamente falando, sem perspectiva de salvação. Longe de Deus,
afundado em desesperança, ele imagina que é o seu fim, e talvez
seja - não o de sua existência, mas o de alguns de seus medos,
preconceitos, ignorância a respeito de si mesmo, da sua missão e
do relacionamento com o outro.
Então a angustia faz com que o profeta abra os olhos de sua alma
para enxergar o que antes lhe era muito difícil perceber; ele
mesmo, sua carência de Deus, a distânciaentre o que pensa que é
e o que de fato abriga em seu ser - egoísmo, intolerância,
indiferença e muitos medos.
Quando sua alma desfalece, Jonas lembra-se de tudo o que já
ouvira a respeito de Deus: seu templo (v.7), sua disposição em
ouvir orações, sua exigência de fidelidade (v.8) e,
principalmente, sua misericórdia e capacidade de perdoar
fraquesas, fugas, enganos, omissões, desde que haja sinceridade
em buscar o seu socorro (v.9).
O ser humano precisa entrar no deserto (mergulhar dentro de si
mesmo) para receber a graça de Deus. A alma necessita penetrar
neste silêncio... é na solicitude neste encontro solitário com
Deus... que Deus revela-se a si mesmo em nossa alma, e que
podemos nos entregar inteiramente a Ele.
Com afeto pastoral; Rev. Inaldo Jacinto da Silva.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
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